5 de set de 2012

Ensinando nativos digitais

"Nativos Digitais" e "Imigrantes Digitais" - separam os que nasceram antes da internet dos que não conseguem maginar o mundo sem ela. De lá para cá, enquanto Prensky fundava uma empresa especializada em criar games educativos, os nativos digitais invadiram as escolas. Segundo ele, nos Estados Unidos já não há mais imigrantes entre crianças em idade escolar. Para ele, ensinar essa nova geração é um desafio imenso, especialmente para os professores. “Eles precisam abandonar a velha aula expositiva e deixar que os alunos aprendam sozinhos”, diz. Esse é o tema de seu mais novo livro, Ensinando nativos digitais. Ele concedeu esta entrevista exclusiva a ÉPOCA.
 
ENTREVISTA - MARC PRENSKY


ÉPOCA – Desde o surgimento do termo nativos digitais, a tecnologia avançou e o perfil do usuário envelheceu. Os nativos ainda podem ser definidos pela idade?
Marc Prensky –
Na verdade, eles nunca foram, a não ser indiretamente. Nativos digitais e imigrantes digitais são termos que explicam as diferenças culturais entre os que cresceram na era digital e os que não. Os primeiros, por causa de sua experiência, têm diferentes atitudes em relação ao uso da tecnologia. Hoje, há muito mais adultos que migraram e, nos Estados Unidos, quase todas as crianças em idade escolar cresceram na era digital. Pode ser que em alguns lugares os nativos sejam separados dos imigrantes por razões sociais.

ÉPOCA – Então os imigrantes, com o tempo, tendem a desaparecer.
Marc Prensky –
Em algum momento, é claro, todos terão nascido na era digital. Estamos a caminho de algo novo: a era do Homo sapiens digital ou a era do indivíduo com sabedoria digital. Para compreender o mundo será preciso usar ferramentas digitais para articular o que a mente humana faz bem com o que as máquinas fazem melhor. Nesse futuro, a diferença de idade e as diferenças entre nativos e imigrantes certamente serão menos relevantes.

"Para que a tecnologia tenha efeito positivo no aprendizado, o professor primeiro tem de mudar o jeito de dar aula"

ÉPOCA – Muitas escolas que compraram uma lousa digital ou montaram um laboratório de informática descobriram que o aparato tecnológico não funciona sozinho. O que dá certo na hora de ensinar essa nova geração?
Marc Prensky –
Introduzir novas tecnologias na sala de aula não melhora o aprendizado automaticamente, porque a tecnologia dá apoio à pedagogia, e não vice-versa. Infelizmente, a tecnologia não serve de apoio para a velha aula expositiva, a não ser da forma mais trivial, como passar fotos e filmes. Para que a tecnologia tenha efeito positivo no aprendizado, os professores precisam primeiro mudar o jeito de dar aula. No meu livro, uso o termo “Pedagogia de Parceria” para definir esse novo método, no qual a responsabilidade pelo uso da tecnologia é do aluno – e não do professor.

ÉPOCA – Qual é a diferença básica entre a velha e essa nova pedagogia?
Marc Prensky –
Mudam os papéis de professores e alunos. Os alunos, que antes se limitavam a ouvir e tomar notas, passam a ensinar a si mesmos, com a orientação dos professores. Por isso a real necessidade de usar ferramentas que os ajudem a aprender. O papel do aluno passa a ser de pesquisador, de usuário especializado em tecnologia. O professor passa a ter papel de guia e de “treinador”. Ele estabelece metas para os alunos e os questiona, garantindo o rigor e a qualidade da produção da classe.

Leia a reportagem na íntegra: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI153918-15224,00-MARC+PRENSKY+O+ALUNO+VIROU+O+ESPECIALISTA.html